Letras UFABC

14/09/2012

Da rede pro palco

Filed under: Dicas,Geral,Música — Gabriel Kernnuak Farias @ 22:08
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Neste sábado (15) ocorre o primeiro dia de apresentações da 2ª edição do festival Sai da Rede. Elo de ligação entre a rede e a plateia, o festival tem como objetivo levar ao público em geral artistas que utilizam a internet como principal ferramenta de divulgação e interação com seus admiradores e fãs. O festival tem curadoria de Pedro Seiler e Amanda Menezes e mostra estar alinhado com o contexto da música popular contemporânea. Segue parte do release publicado no site oficial do projeto:

“[Para Amanda Menezes] não é mais possível rotular por gênero musical a produção dos artistas da atualidade. A internet se tornou peça chave na engrenagem da produção musical, da composição à comercialização. A maioria dos artistas desta geração compõe e interpreta seus trabalhos, o que se deve muito às facilidades de gravação. Por isso, há muito interesse por parte do público em conhecer (ao vivo) os trabalhos desses artistas”.

As primeiras bandas a tocar são Bixiga 70 e BaianaSystem. De influências plurais e inovadoras (do afrobeat ao carimbó), as faixas são uma prévia do que esperar para a abertura do evento.

Festival Sai da Rede (2ª edição)
De 15 de setembro a 29 de setembro no CBBB_São Paulo
Sempre aos sábados, às 16h
Praça do Patriarca – grátis

Bixiga 70 – Balboa da Silva

BaianaSystem – Barravenida

31/08/2012

Tropicália com vista pro mar e nas telas de cinema

Filed under: Cinema,Diversão,Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 21:31
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A iniciativa da Odebrecht minguou. Se o objetivo era homenagear os tropicalistas, batizando as dependências de um de seus novos empreendimentos em Salvador com referências ao movimento da Tropicália, os principais interessados não fizeram questão das honras. O condomínio luxuoso ao lado do parque ecológico de Pituaçu tem vista pro mar, amplo espaço interno e era divulgado como o local “onde o divino encontra o maravilhoso”, citando a canção de Caetano Veloso. O baiano foi um dos primeiros a levantar a voz contra a tentativa de “comercializar o movimento”, como indica matéria publicada no Terra Magazine.

Ainda que a Tropicália não tenha vocação pra nomear edifícios, sua história pode render um bom filme. Pelo menos é o que parece: de acordo com o calendário de estreias do Omelete, o filme Tropicália estreia no próximo dia 14 e promete revelar bastidores de um dos movimentos mais emblemáticos da cultura nacional. Abaixo você confere o trailer do longa de 72 minutos e direção de Marcelo Machado.

29/08/2012

O sublime da paródia

Filed under: Geral,Rapidinhas Linguísticas,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 23:47
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Compreende-se por paródia a reprodução humorística, irônica ou burlesca de uma determinada obra literária. Tal interação, contudo, que é estabelecida a partir da recriação de uma obra já existente (por vezes conferindo-lhe novo sentido) também pode ocorrer em outros campos da arte que não estejam necessariamente ligados à linguagem escrita – existem paródias de músicas e filmes, por exemplo.

O Spoleto recorreu à paródia para construir, seguramente, uma das propagandas mais legais dos últimos tempos. Sem recorrer a velhos chavões, a empresa se aproveitou de uma crítica, publicada semanas atrás, ao modelo de atendimento utilizado em seus restaurantes e produziu uma peça bem humorada, valendo-se de grande genialidade para contornar um problema.

A crítica, abaixo, foi originalmente publicada pelo canal Portadosfundos.

E a resposta, rápida, pelo perfil Spoletobr.

24/08/2012

Quadrinhos de Liverpool

Filed under: Dicas,Geral,Música — Gabriel Kernnuak Farias @ 20:41
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Seguramente, os Beatles representam para a música aquilo que Shakespeare representa para a literatura. Sua obra, compreendida em um período de dez anos, é densa e plural: dos ie-ie-iês do Cavern Club e jaquetas de couro (muito antes de serem encontrados por Brian Epstein e ganharem ternos e Ringo Starr) à psicodelia e à profundidade de álbuns como Revolver e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, a banda explorou todas as vertentes do rock – quiçá da música popular – de sua época. Mais do que isso: o quarteto de Liverpool foi um fenômeno que até então não tinha precedentes na história da música. Angariou uma legião de fãs e destacou-se por seu comportamento estético e rebeldia para definitivamente fincar seus pés na Abbey Road e no imaginário coletivo como ícones da cultura pop.

Mais de meio século passado após o início da banda (e no ano em que o single de Love Me Do, marco inicial da formação clássica do grupo, diga-se, completa 50 anos) é lançado o livro Beatles In Comic Strips. Idealizado por Enzo Gentile, jornalista e crítico musical, e Fabio Schiavo, detentor de um vasto arquivo de cartoons relacionados ao quarteto, o livro se propõe a apresentar cerca de duzentos quadrinhos relacionados ao grupo: dos mais populares aos mais raros e inacessíveis, dos mais antigos e obscuros aos mais recentes e difundidos, produzidos em quaisquer dos quatro cantos do mundo. Em algumas histórias a banda é protagonista; em outras é apenas citada e ainda há casos em que as próprias canções da banda são transportadas para o papel, enquanto os traços substituem o som da guitarra que consagrou o grupo. O livro encontra-se disponível no site da Amazon.

18/08/2012

O medo de perder e os embalos de sábado à noite

Filed under: Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 18:13
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A seção “eventos” do Facebook indica que ainda restam nove compromissos a serem cumpridos na próxima semana – três deles no mesmo dia. Enquanto isso, a cada atualização da (famigerada) linha do tempo, surgem fotos recém tiradas de amigos em festas, notificações sobre o show de uma banda de rock na cidade ao lado e alguns outros (tantos) posts lamentando alguma espécie de solidão ou tédio indesejável para a noite de sábado. Enquanto isso você continua a explorar as redes sociais – amealhando alguma informação do meio de uma quantidade exorbitante de dados – e enfim posta: “Feliz! Tenho cinema e pipoca pra noite de hoje”, anexando a foto de dois DVDs recém comprados, quiçá numa tentativa de mostrar que está tão feliz quanto os amigos marcados nas fotos da festa.

A situação hipotética não é tão difícil de ser imaginada. Arrisco dizer, comum nos dias recentes. Desde o boom das redes sociais, iniciado em pequenas comunidades no Orkut, passando pelo streaming de muitos fatos e poucas palavras do Twitter até a explosão da linha do tempo multimídia do Facebook, abriu-se espaço para diversas formas de compartilhamento na internet. Desde o caderno de economia de uma publicação européia até imagens de si mesmo num bar na Vila Madalena, nada é tão pessoal que não possa ser público. O fluxo intenso de informações, contudo, foi o que bastou para alimentar aquilo que tende a ser um dos males do século XXI: F.O.M.O.

O Fear Of Missing Out, embora não seja uma sensação desconhecida ao ser humano, é um problema emblemático da era digital. Consiste, literalmente, no “medo de estar por fora” ou no receio de perder aquilo que há de melhor, intensificado quando há a percepção de que, a opção por passar um fim de semana sozinho, seja lendo Guerra e Paz ou assistindo ao último filme do Woody Allen, implica na recusa àquela festa com os amigos ou ao show da sua banda preferida que ocorre numa cidade vizinha. Segundo o médico Ricardo de Oliveira, coordenador de neurociências do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (em entrevista à Você s/a), a denominação recente só remonta um antigo problema. “Quem nunca lamentou não fazer parte de determinado grupo?”, perguntou o neurologista e neuropsiquiatra.

O F.O.M.O remete a um misto de irritabilidade, ansiedade e sensação de deslocamento de um determinado grupo e deve-se em grande parte à falta de maturidade na relação ente usuário e redes sociais, elementos consideravelmente recentes no contexto das relações humanas. À medida que os próprios sites estimulam o compartilhamento de informações (na homepage da antiga versão do Twitter encontrava-se um quase invasivo “what are you doing?”, posteriormeste substituído por um estimulante e abrangente “what’s happening?” – no Facebook a pergunta diz respeito ao que você está pensando), cabe ao usuário ter critério quanto aos seus objetos de compartilhamento, bem como fazer uma seleção clara daquilo que é informação relevante e o que não é.

Ainda que exposição àquilo que os outros está fazendo seja inevitável, a consciência dessa realidade é um passo para evitar o Fear Of Missing Out e problemas adjacentes. Não, você não é o John Travolta e os embalos do sábado à noite não são só seus. De todo modo, o vídeo da JWTIntelligence ajuda a elucidar estatisticamente a raiz desse problema.

17/08/2012

Páginas alteradas

Filed under: Dicas,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 21:29

 

Primeiramente apanhe um livro em um sebo de sua preferência. Depois, pratique livremente a obliteração que, a essa altura, quase transforma-se em obliteratura: apague, acrescente, acentue ou atenue. Todo código é moldável e todo canal é perfeito quando existe uma mensagem para ser transmitida.

Essa é a proposta do projeto Altered Books do logolalia.com. Lá você encontra uma coletânea de obras concebidas a partir do processo de obliteração. Visualmente convidativos, os poemas são uma exploração simples e sublime da interatividade que reserva o livro de papel. Que tal?

Para visualizar mais obras, visite o site do projeto.

08/08/2012

Ela voltou!

Filed under: Dicas,Eventos,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 02:53
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Ela dispensa apresentações, embora os bibliófilos reservem inúmeros predicados cheios de ternura para descrevê-la. Na próxima quinta-feira (9) terá início a 22ª Bienal do Livro de São Paulo, que acontece no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Abrigando cerca de 480 expositores num espaço de 60 mil m², a Bienal espera receber cerca de 800 mil visitantes para a edição desse ano, que conta com convidados ilustres como Marcelo Tas, Ruth Rocha, Miguel Nicolelis, Fernando Henrique Cardoso entre outros.

História

Realizada pela primeira vez em parceria com o Museu de Arte de São Paulo no ano de 1961, a Bienal do Livro de São Paulo passou por várias alterações até que chegasse ao seu formato atual. Criada com o intuito de introduzir no país a tradição europeia das feiras de livro, as primeiras edições do evento tiveram cerca de 80 mil visitantes e um número aproximado de 700 expositores. Desde então, esteve em constante mudança para abrigar um público crescente e fiel: organizada pela primeira vez no edifício da Bienal de Arte, mudou-se para o Expo Center Norte em 1996. Ainda esteve no Centro de Exposições Imigrantes por um curto período de tempo – de 2002 a 2006 – até chegar ao Anhembi, maior centro de exposições da América Latina, local onde é realizada até os dias de hoje.

22ª BIENAL DO LIVRO DE SÃO PAULO
De 9 a 19 de Agosto de 2012
Pavilhão de Exposições do Anhembi
Av. Olavo Fontoura, 1.209 – Santana – CEP 02012-021 São Paulo – SP

Horário de Visitação:
de 09 a 18 de agosto, das 10h às 22h
dia 19 de agosto, das 10h às 20h, com entrada até as 18h

Mais informações no site do evento.

06/08/2012

Para que serve uma monocotiledônea?

Filed under: Discussões,Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 04:17
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Num rápido exercício de memória, tente lembrar da sua vida sem a internet. Lembre-se de como se desenvolviam as relações de amizade, de trabalho e de aprendizado, ou das diferentes necessidades comuns ao mundo que precedia a web. Na ausência do Google, à menor necessidade de pesquisa recorria-se à Barsa – ou a qualquer outra volumosa enciclopédia de papel, que abrigava um extenso conteúdo e ocupava um significativo espaço físico na estante. Conteúdo era expresso em páginas e grafado à tinta, inflexível a alterações quando seus dados alcançassem a obsolescência.

Com a popularização do world wide web esse cenário sofreu profundas mudanças. Pesquisa e Google tornaram-se sinônimos. Wikipedia tornou-se referência popular enquanto enciclopédia valendo-se do conhecimento coletivo. Redes sociais aproximaram pessoas com interesses afins e promoveram diálogo, viabilizando a troca de informações e a produção de conteúdo em todos os campos de conhecimento.

Diante desse quadro, demanda-se uma série de mudanças em alguns setores da sociedade. O vídeo abaixo é um excerto da palestra (que você encontra na íntegra aqui) na qual Luli Radfahrer* fala sobre as mídias sociais e a escola do século XXI – os caminhos da difusão do conhecimento numa sociedade hiperconectada e que possui fácil acesso à informação.

*Luli Radfahrer é Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP, de onde é professor há mais de 15 anos. Mais informações podem ser encontradas em seu blog.

03/08/2012

Uma noite no museu

Filed under: Eventos,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 15:02
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O Centro Cultural Banco do Brasil (palco do Anima Mundi há uma semana) abre neste sábado (4) a exposição Impressionismo: Paris e a Modernidade. Com 85 obras vindas do Museu D’Orsay (França), a mostra fica em cartaz até 7 de outubro e conta com obras de renomados artistas como Claude Monet, Toulouse-Lautrec, Édouard Manet e Vincent Van Gogh, construindo uma perspectiva detalhada da pintura impressionista e pós-impressionista.

Além da mostra – que também tem ao seu favor o ineditismo, já que alguma de suas telas serão mostradas pela primeira vez fora de Paris – o CCBB organiza neste sábado a Virada Impressionista. O evento é o marco inicial da exposição e o museu estará de portas abertas desde a tarde de sábado (15h) até a noite de domingo (22h). A virada também terá iluminação especial e serviço de van.

VIRADA IMPRESSIONISTA
Data: de 4 a 5 de agosto de 2012.
Horário: das 15h do sábado às 22h do domingo.

IMPRESSIONISMO: PARIS E A MODERNIDADE

Data: de 4 de agosto a 7 de outubro de 2012.
Horário: terça a domingo, das 10h às 22h.
Entrada franca.

Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB)
End.: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro.

Mais informações podem ser obtidas no site da instituição.

24/07/2012

Coisa de gente grande

Filed under: Cinema,Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 17:32

Animação deixou de ser programa exclusivo para crianças há muito tempo. Especialmente a partir de agora, passará a ser coisa séria – tão séria que o vencedor principal da vigésima edição do Anima Mundi ganhará o direito de se inscrever para concorrer ao Oscar.

Amanhã, 25, o evento começará a ser exibido nas salas paulistanas – Memorial da América Latina e Centro Cultural Banco do Brasil. Para mais informações sobre a programação do evento clique aqui.

O catálogo do Anima Mundi 2012 também foi divulgado pelo site oficial do evento. A peça contem informações sobre as atrações do festival e você pode acessá-la clicando aqui.

 

Centro Cultural Banco do Brasil

ENDEREÇO: Av. Álvares Penteado, 112 Centro – São Paulo
TELEFONE: (11)3113-3650, 3113 3651, 3113 3652
HORÁRIO: Horário de funcionamento: Qua à Dom 9h às 21h

Memorial da América Latina

ENDEREÇO:Av. Auro Soares de Moura Andrade 664 – Barra Funda – São Paulo
TELEFONE:(11) 3823-4600
HORÁRIO:Horário de funcionamento: Qua à Dom 9h às 23h

17/07/2012

Morte e Vida Severina

Filed under: Dicas,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 02:10
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João Cabral de Melo Neto uniu as pontas entre a morte e a vida, fim e começo, ao publicar em 1955 uma das obras mais importantes da literatura brasileira. Morte e Vida Severina é paradoxal desde o princípio: ao unir final e princípio da vida, também reúne outros extremos e expõe com certo lirismo todo o sofrimento existente na “vida severina”.

Miguel Falcão tirou a obra da imaginação e passou para o papel, dando traços à seca nordestina e aos retirantes que fogem da estiagem e buscam melhores condições de vida. Pelas mãos da escola de audiovisual OZI nasce uma das animações mais legais que eu já encontrei no Youtube. Vale a visita.

13/07/2012

O dia do rock e outras pedras que rolam

Filed under: Eventos,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 00:30
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Ontem (12) foi aniversário de 50 anos do primeiro show dos Rolling Stones. A banda nem tinha esse nome ainda – foram apresentados como Mick Jagger and The Rolling Stones – e tampouco um público fiel: cerca de 80 homens e 30 mulheres testemunharam os 50 minutos de apresentação da banda que viria a se tornar uma das mais populares e influentes de sua era.

Hoje é dia de rock, bebê!

13 de julho é o dia mundial do rock. Há exatos 27 anos Bob Geldof organizava o Live AID, evento que ocorrera simultaneamente nas duas grandes matrizes do rock mundial, Inglaterra e Estados Unidos. Os shows eram parte de um projeto beneficente e contaram com a participação de artistas consagrados como The Who, David Bowie e Queen. Desde então a data passou a ser lembrada como o dia mundial do rock.

It’s only rock ‘n’ roll but we like it!

No que depender dos alunos da Universidade Federal do ABC, a data não passará em branco. Haverá o encontro de alunos, músicos e apreciadores o gênero musical, além de apresentação de bandas no Bloco Sigma, em São Bernardo do Campo.

Mais informações sobre o evento aqui.

10/07/2012

Como ser um grande escritor

Filed under: Cinema,Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 17:08
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Atualmente Charles Bukowski é autor conhecido do público brasileiro. O que, de fato, não significa dizer que lhe é dado o devido reconhecimento – ao passo que possui uma parcela significativa de seus livros traduzidos para o português, o autor nunca conseguiu se livrar do estigma de subliterato.

Mesmo na peça chave de sua bibliografia, Misto-Quente, o autor se faz valer de altas doses de álcool e escatologia e uma quantidade razoável de palavrões, além de recorrer a figuras marginalizadas pela sociedade de forma a construir o cenário de pobreza no qual se desenvolve sua obra.

Presente em prosa e verso, a recente popularização do autor ganhou adaptações audiovisuais. “Como Ser Um Grande Escritor” é uma delas, laureada no Gramado Cine Vídeo 2009, na categoria “melhor ficção universitária”.

07/07/2012

O joio e o trigo do livro hi-tech

Filed under: Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 16:54
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No perfil do homem ideal não podem faltar cabelos negros, olhos verdes e sotaque britânico. Ele muito provavelmente tem aproximadamente 30 anos e apresenta expressões austeras. É assim: pelo menos segundo o que dizem os dados da editora Coliloquy, especialista no mercado digital da ficção interativa.

A ficção interativa (active fiction aos olhos e ouvidos anglófonos) é apenas uma das novidades advindas da popularização da literatura digital. Nela, leitor e escritor podem interagir em alguns momentos-chave do texto, de forma a explorar novas possibilidades no decorrer da narrativa. Sabe-se, por exemplo, que em Getting Dumped (Tawna Fenske) o personagem Colin é mais carismático entre os leitores do que Pete, também presente na obra.

De fato, a popularização da literatura por meio de dispositivos eletrônicos abre um leque de opções no que diz respeito à interatividade entre autor e leitor e à exploração de recursos multimídia na construção da narrativa, beneficiando a experiência da leitura. Por outro lado, essa experiência passa a ser monitorada durante todo o tempo, produzindo dados que, posteriormente, dão origem a novas métricas, modificando drasticamente os processos de criação e publicação de uma obra.

Não faltam exemplos de que esses dados estão sendo produzidos e constantemente auferidos. É sabido, por exemplo, que aproximadamente 18 mil usuários do Kindle destacaram a frase “Porque, às vezes, acontecem coisas com as pessoas e elas não estão preparadas para isto”, excerto do livro Em Chamas, da trilogia Jogos Vorazes. Também se sabe que um leitor comum leva aproximadamente sete horas para ler o último livro da trilogia – aproximadamente 57 páginas por hora. É possível também averiguar a fidelidade do público, visto que, ao terminar a primeira obra da trilogia, uma parcela significativa dos leitores imediatamente faz o download do volume seguinte.

A indústria editorial tradicional sempre traçou estratégias baseada no número de exemplares vendidos em determinado momento, bem como na repercussão de determinado título entre a crítica e o grande público. Só. A existência do livro digital cria condições para novas análises baseadas em informações palpáveis sobre os hábitos de leitura do consumidor de determinada obra literária, território desconhecido até o momento. É possível descobrir até mesmo se a leitura foi completa ou apenas parcial – se o leitor foi até o fim com a obra ou abandonou a leitura pela metade.

Diante de tantas métricas, é válida a especulação: obras que romperam com a escola literária de seu tempo ou, de alguma forma, representaram alguma quebra de paradigma dentro de sua esfera cultural teriam espaço em um mercado editorial com um perfil consumidor estabelecido? A temática gera controvérsias e dissonâncias no mercado editorial. “Uma singularidade das obras literárias é que elas não precisam estar vinculadas a certos padrões e podem durar o quanto for necessário, não cabendo ao leitor a interferência nesse processo criativo”, disse Jonathan Galassi, presidente e editor da Farrar, Straus & Grioux, ao Wall Street Journal em artigo publicado no último dia 29. “Nós não encurtaríamos Guerra & Paz simplesmente porque alguém não completou sua leitura”, completou demonstrando cautela e atentando para os riscos da padronização excessiva do consumidor.

Primeira página da 3ª edição de Guerra e Paz

Enquanto é estabelecido o debate acerca da análise dos dados obtidos a partir da utilização de dispositivos digitais, a venda de e-books cresce furiosamente nos EUA. No primeiro semestre de 2012, a receita com a venda de livros digitais superou pela primeira vez a de livros impressos, de acordo com a Associação de Editoras Americana (AAP). O aumento foi significativo no segmento dos livros adultos, onde se obteve um rendimento de US$ 282,3 milhões (28% maior em relação ao mesmo período no ano anterior), embora o salto mais expressivo tenha sido na literatura infanto-juvenil, onde a receita de US$ 64,3 milhões representa um avanço de 233% comparado aos primeiros três meses de 2011. Diante de tais indicadores, é fácil deduzir que novidades virão e que a tecnologia pode aprimorar a experiência da leitura. Pelo menos enquanto todos os homens não tiverem sotaque britânico.

04/07/2012

A nata da literatura

Filed under: Dicas,Geral — Gabriel Kernnuak Farias @ 16:24

Começa hoje às 19 horas a 10ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em uma década, a festa rompeu as barreiras da “discussão literária para críticos e escritores” e caiu nas graças do grande público consumidor e apreciador da literatura. Reconhecida pela presença de nomes laureados e temas pertinentes em suas bancadas de discussão – a edição de 2011 contou com o neurocientista Miguel Nicolelis e o filósofo Luiz Felipe Pondé debatendo questões confluentes às suas áreas de pesquisa, por exemplo – a Flip completa uma década em 2012 homenageando o poeta Carlos Drummond de Andrade e conta com Ian McEwan, Jennifer Egan, Fabrício Carpinejar, Angeli, Laerte entre outros convidados.

A programação completa do evento você encontra aqui.

Haverá transmissão ao vivo no site oficial da Flip 2012.

G.K.F.

Letras UFABC.

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