Letras UFABC

06/08/2012

Para que serve uma monocotiledônea?

Filed under: Discussões,Geral,Vídeos — Gabriel Kernnuak Farias @ 04:17
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Num rápido exercício de memória, tente lembrar da sua vida sem a internet. Lembre-se de como se desenvolviam as relações de amizade, de trabalho e de aprendizado, ou das diferentes necessidades comuns ao mundo que precedia a web. Na ausência do Google, à menor necessidade de pesquisa recorria-se à Barsa – ou a qualquer outra volumosa enciclopédia de papel, que abrigava um extenso conteúdo e ocupava um significativo espaço físico na estante. Conteúdo era expresso em páginas e grafado à tinta, inflexível a alterações quando seus dados alcançassem a obsolescência.

Com a popularização do world wide web esse cenário sofreu profundas mudanças. Pesquisa e Google tornaram-se sinônimos. Wikipedia tornou-se referência popular enquanto enciclopédia valendo-se do conhecimento coletivo. Redes sociais aproximaram pessoas com interesses afins e promoveram diálogo, viabilizando a troca de informações e a produção de conteúdo em todos os campos de conhecimento.

Diante desse quadro, demanda-se uma série de mudanças em alguns setores da sociedade. O vídeo abaixo é um excerto da palestra (que você encontra na íntegra aqui) na qual Luli Radfahrer* fala sobre as mídias sociais e a escola do século XXI – os caminhos da difusão do conhecimento numa sociedade hiperconectada e que possui fácil acesso à informação.

*Luli Radfahrer é Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP, de onde é professor há mais de 15 anos. Mais informações podem ser encontradas em seu blog.

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11/10/2011

Interações Geram Interações

Olá Pessoal,

Há quanto tempo que eu não escrevo aqui hein?!  Para ser mais realista, há quanto tempo não interajo nas redes sociais – pelo menos no Twitter, ou no Google + (aliás, quem usa?) !

E é interessante, sendo um expectador, notar como elas funcionam. Elas não são mais do que um serviço onde o produto é você.

Se você não está pagando por elas, você não é o cliente, você é o produto sendo vendido.

Interações Geram Mais Interações

Interações Geram Mais Interações

É com elas que você gasta os cliques do seu mouse, e as teclas de seu teclado. Você publica no mural das outras pessoas, menciona-as na rede, as cutuca, manda mensagens privadas, esperando que você possa receber interações de volta. Outra opção é colar um texto ou uma imagem superbacanas no seu “mural”, para que um monte de gente curta e compartilhe com seus amigos, desse jeito muitos verão seu nome aparecendo em suas telas principais. Você quer ser importante.

Então eu fiz um breve monitoramento dos últimos tempos. A quantidade de requisições por você vai caindo tão drasticamente quanto distante das redes sociais você está. E é aí que o Twitter te envia um e-mail: @ClayKaboom, sentimos sua falta!”! Mentira! Nem um de seus “amigos”,”seguidores”, realmente notou a sua falta. Eles estão todos preocupados em serem notados gerando mais e mais frequentes interações com seus colegas de rede social, clicando nos links patrocinados, e dando dinheiro para os detentores das grandes empresas por trás desse imenso jogo.

Atualize seus relacionamentos, seus grupos de “melhores amigos”, ponha sua localização, liste seus parentes, e isso vai permitir que as redes sociais saibam mais sobre você e direcionem seu comportamento, sugerindo cada vez mais coisas com as quais você gosta de gastar seu tempo ou dinheiro.

Faça o teste você também: interaja com outras pessoas falando coisas ordinárias, e elas vão interagir com você por condescendência, ou pela expectativa do estabelecimento de um novo ciclo de interações. Se for esta, ela fará algo que exija que você a responda (como uma pergunta), se for aquela, provavelmente será uma risada ou uma afirmativa ( e isso significa que a pessoa tem uma rede interações de maior interesse com que se preocupar).

(Minha versão de ) Doug Funnie

(Minha versão de ) Doug Funnie dando Tchaus 😀

Bem, isso não é uma crítica às redes sociais, mas sim uma breve análise ( muito bem sabida por todos muitos) do que realmente significam as interações que fazemos em seus sites. Tratam-se de interações que dificilmente destacam tanto a pessoa quanto aumenta o valor da própria rede social. E há uma infinidade delas que são superficiais, o que me faz pensar sempre se o que vou postar é algo que traz algum benefício para os que verão aquilo, ou se meramente algo que espero que traga algum destaque entre os outros.

Como geralmente não tenho algo tão importante assim a ser postado, a segunda opção é a que prevalece. Mas tento treinar esse tênue agente de consciência para trabalhar em plano de fundo, o que me coíbe de ter algo a contribuir para o crescimento dessas ferramentas que de uma forma ou de outra giram muitos milhões de dólares num intervalo de tempo tão pequeno que muitos possam sequer um dia imaginar.

Com certeza, mesmo sabendo disso tudo, estamos cientes de que há algo em nós que gosta de gastar tempo nessas redes. O importante é saber gerenciar o nosso tempo enquanto estamos nelas.

Blogs e Vídeos

Outro tipo de interação são os posts em blogs e portais de vídeo. Esses são mais sutis porque não se identificam prontamente como redes sociais, mas definitivamente são. Nelas, você pode se socializar com outras pessoas, mesmo que seja xingando quem votou negativamente no vídeo.

Mas eu acredito que quem faz (não quem copia) o conteúdo nesses meios geralmente dedica-se muito mais para fazer algo de qualidade, e merecem muito mais mérito, pois são eles quem alimentam as mais popularizadas redes sociais (as das massas, as redes de consumo de conteúdo e de baixa produção do mesmo). O que seria do facebook, se não existissem os blogs de humor, ou os vídeos capazes de emocionar ( que causam alguma emoção, e não necessariamente o choro) as pessoas? O que as outras pessoas curtiriam? Somente os estados de humor e as realizações pontuais de outros (como esta que fiz só para testar a reação do pessoal)?

Motor Social da Internet retroalimentado

Redes Sociais de grande impacto alimentam as de interação interpessoal.

O que eu admiro nos blogs, vídeos, e sites, é a capacidade que eles tem de ser atemporais. Eles podem causar interações por muito mais tempo; e é exatamente isso que eu não gosto no Twitter, Facebook, ou qualquer coisa do gênero. Você curte aquilo, e logo elas se perdem na “linha do tempo”. E poucos são os que compartilham a mesma coisa duas vezes, acredito que sintam-se como alguém que fica repetindo a mesma coisa que falou para seus interlocutores periodicamente.

Então as Redes Sociais destinadas à produção de conteúdo, ou sites de mesmo fim, são os grandes responsáveis por alimentar as redes sociais das massas e se retroalimentar – graças aos tradutores e aos copiadores de conteúdo – mantendo o motor social virtual sempre ativo.

E digo que elas são atemporais, apenas por superficialmente analisar as estatísticas de acesso de alguns posts, como os do Castelo Rá-Tim-Bum e do Doug (por isso o desenhinho acima), o do ENEM ( que recebe interações sobretudo nesta época do ano), ou o da paginação no Word ( principalmente para os que estão fazendo TCCs), que mesmo tendo sido escrito há meses, ou anos, ainda rendem boas visitas, e certamente motiva o autor a continuar produzindo.

Por fim…

Ora, quem diria que eu conseguiria espalhar tantas palavras assim num campo de texto tão grande e desafiador?! Eu não diria. Mesmo assim, consegui fazer um post bem verborréico e, se você está lendo isto, agradeço-lhe muito.

Um grande abraço, e até a próxima ( que espero que seja bem próxima)

Clayton

18/03/2010

Venha ver o pôr-do-sol

Filed under: Discussões — Letras UFABC @ 05:03
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No fim da tarde de 15/03/2010, segunda-feira, o grupo reuniu-se para a discussão de um conto de nome muito sugestivo: “Venha ver o pôr-do-sol”, de Lygia Fagundes Telles.

 

E3 - 2010: Venha ver o pôr-do-sol

É um conto que faz parte de uma antologia de mesmo nome:


Venha ver o pôr-do-sol, 1988 (seleção dos editores – Ática)

Autora

Lygia Fagundes Telles, nascida em 19 de Abril de 1923, é membro da Academia Paulista de Letras (desde 1982) e da Academia das Ciências de Lisboa (desde 1987). Entre suas obras encontram-se também romances como Ciranda de Pedra (1954) e crônicas.

Sinopse

Ricardo é muito apaixonado por Raquel e por um tempo eles viveram uma história de amor; mas para ela a paixão não bastou: trocou-o por um homem mais rico. Ainda assim, Raquel encontrou-se com Ricardo por mais algumas vezes.

Ricardo chama Raquel para ver um lindo pôr-do-sol num cenário nada convencional: um cemitério abandonado, para o espanto de Raquel. Enquanto Ricardo a guia para ver o pôr-do-sol mais inesquecível de sua vida, os dois relembram fatos do passado e remoem as mágoas de sua história. Chegam então ao local: a catacumba onde estão enterrados antepassados de Ricardo.

Será que essa história de amor não tem volta? Será mesmo um pôr-do-sol inesquecível para Raquel? Leia e confira.

Discussão

Unanimemente, todos gostaram da história.

O cenário calmo, frio e sombrio criado pela autora, dá ao leitor essas sensações e o faz sentir que está percorrendo o caminho junto com os personagens.

Algumas dúvidas são suscitadas durante a leitura:

Como era o relacionamento de Ricardo e Raquel antes de ela trocá-lo? A autora não revela o passado dos dois. Deixa que o leitor imagine n possibilidades. Eles podiam ser um casal moderno, ou um casal romântico ou uma dupla de picaretas. Quem sabe? O passado na verdade não importa. O presente que eles vivem nos rápidos momentos em que o conto se passa é muito intenso, transcende qualquer história que aconteceu ou que poderia acontecer antes daqueles atos.

Seria Raquel alguma ‘Capitu’? Em um trecho do conto, Ricardo diz que Raquel tem olhos oblíquos, em uma óbvia alusão à Capitu de Machado de Assis. Com isso a autora traz à história características a mais para seus personagens, por analogias com Bentinho e Capitu de Dom Casmurro. Bentinho era extremamente ciumento e o amor verdadeiro que tinha por Capitu ficara na infância, dando lugar ao ciúme e à desconfiança constantes, acabando por abdicar da proximidade de Capitu, arrancando-a de sua vida. Esses aspectos evidentes para quem já conhece Dom Casmurro contribuem para o cenário de frágil sossego criado pela autora.

Ele faz isso por ciúmes? Vingança? O ato sórdido de trancá-la na catacumba é conseqüência de amor? Aqui vem um debate polêmico: pessoas que cometem atrocidades em nome do ‘amor’. O abandono, a falta de reciprocidade no amor podem causar tragédias. Muitas pessoas não conseguem lidar bem com esses fatos e as conseqüentes causas podem ser dramáticas, como foi no caso de Ricardo e Raquel.

Raquel demonstra que ainda gostava de Ricardo: estava com mais medo do cemitério do que dele. Confiou em seu algoz e adentrou um cemitério totalmente abandonado, sabendo da dor que causou a ele ao deixá-lo. Não feliz, ela ainda o provocava, gabando-se de sua recente riqueza, atingindo-o ainda mais.

A história de que aquela era a catacumba da família foi toda inventada. Esse fato transparece no trecho em que Raquel questiona Ricardo por ele nunca antes ter falado de sua suposta prima falecida.

O cemitério e o pôr-do-sol funcionam ambos como metáfora para a morte de Raquel. O cemitério por si só já diz a que veio: lugar onde se enterram os mortos, lugar de abandono, lugar onde Raquel jazeria. O pôr-do-sol é a metáfora da vida acabando, como o sol que baixa no horizonte. O pôr-do-sol que Raquel viu foi o seu próprio.

Será que Ricardo se arrependeu? Será um ato sem volta? Será que seu lado macabro terminaria ali? Ou será que ele ainda voltou ao local e ainda se vingou mais um pouco? Essa parte também fica para a imaginação do leitor.

No começo e no final, crianças brincam de roda. Raquel passou por ali e nada mudou, o mundo continua o mesmo, afinal o sol se põe todos os dias, assim como as pessoas, que vêm e vão.

Da avaliação, temos:

NOTA FINAL:                     8,25 (6 pessoas avaliaram)

E3 - 2010: Venha ver o pôr-do-sol

Ana Carolina B. Silva

LETRAS – UFABC

09/03/2010

O roubo do elefante branco

Filed under: Discussões — Letras UFABC @ 03:30
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No dia 08/03/2010, o grupo se reuniu para a discussão do conto ‘O roubo do elefante branco’, de Mark Twain.

Galerinha reunida!

Sinopse

Em uma estação de trem, o narrador ouve a história de um senhor que certa vez fora incumbido de uma missão muito incomum: fazer a entrega de um elefante branco para a rainha da Inglaterra. Era um presente do rei do Sião numa tentativa de selar a paz entre os dois países. No Sião, atual Tailândia, o elefante branco era raríssimo e considerado animal sagrado digno apenas da realeza.

Ao parar em New Jersey, a missão se complica: o elefante é roubado! É então que a polícia local é acionada e as investigações começam a todo vapor. O que aconteceu ao elefante? Será que aquele senhor conseguirá cumprir sua missão? Leia e confira.

Autor

A história de vida Mark Twain é curiosa pelo fato de ele ter sido garimpeiro na época da Corrida do Ouro (em meados de 1850) e ainda por ter pilotado embarcações pelo rio Mississipi. Ele começou a escrever livros aos 32 anos e é tido como o pioneiro da verdadeira literatura norte-americana, retratando histórias em cenários conhecidos, com uma realidade mais próxima.

Discussão

Houve um consenso geral na opinião de que apesar da fácil e por vezes divertida leitura do conto, as intenções do autor não são perceptíveis sem um olhar atento do leitor.

O humor e a ironia presentes no conto escondem uma forte crítica à polícia da época. O elefante, que seria um presente à rainha inglesa, acaba sendo utilizado pela polícia americana como um “grande” desvio das atenções dos crimes que ocorriam pelo país inteiro, sem a eficiente intervenção da polícia.

Os detetives encontram o elefante em todos os lugares: de norte a sul, de leste a oeste. Ele cometia crimes hediondos, mas sempre escapava ileso, pois quando os detetives chegavam aos locais de ocorrência, o elefante havia acabado de fugir. Aqui o autor critica a ineficiência dos serviços da polícia, que nunca estava no lugar certo, no momento certo e ainda não conseguia punir os reais causadores dos problemas.

A profissão de detetive é endeusada pelo senhor que viveu a história apesar de o inspetor Blunt e seus detetives terem seguido pistas visivelmente falsas e terem feito grande estardalhaço para um problema de dimensão bem menor.

No final, o elefante aparece morto e aquele senhor teve que arcar com 140 mil libras entre recompensa e despesas, ficando totalmente pobre e ainda envergonhado por não ter cumprido sua missão. Metade do dinheiro ficou para os detetives pelo “bom trabalho” executado. E ironicamente, o pobre senhor ficou feliz e conformado.

Os inspetores tomaram esse elefante não apenas como desvio das atenções de outros problemas que ocorriam pelo país mas também como fonte de glamour para a profissão, pois ao dar dimensões maiores do que a merecida para o problema, a resolução do caso trouxe fama para os detetives (além da recompensa).

Letras - UFABC!

Da avaliação, temos:

NOTA FINAL:              6,2 (5 pessoas avaliaram)

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